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quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Welcome back to (the new) school

Este Blog tem um foco em CRM analítico, mas hoje recebi um email do meu camarada Gilson Rodrigues sobre o lançamento dos TextBooks da Apple e não pude resistir em comentar. Falamos sobre como é incrível ver quais os limites da tecnologia que temos a nossa disposição hoje e até onde ela pode nos levar e de como a plataforma iBook/iTunes/iTunes U... darão um enorme push na educação, transformando praticamente todos os processos existentes na sala de aula e também a relação professor-aluno. Aliais a sala de aula “física” será apenas mais uma (ou a melhor?) alternativa (ou “canal”) de acesso ao conhecimento pois um material de grande qualidade poderá ser acessado sendo muitas vezes uma opção a locais de ensino sem nenhuma infra-estrutura didática de suporte.
Bem, em setembro passado numa conversa com o Jean Paul Jacob (da IBM), ele falou que um dos booms para 2012 seriam os livros multimídia, em especial os didáticos, e que naquele momento várias empresas estavam produzindo conteúdo multimídia para livros já existentes - um livro de História teria embutido o vídeo de um programa como o do History channel sobre o assunto, teria links para fotos de artefatos em museus, uma visão "online" do local do acontecimento (e provavelmente um link de alguma agência de turismo também... :-) ).
A idéia não é nova e como produto/serviço é algo que o mercado já pede há tempos - já pensou se a ONU financiasse o desenvolvimento de  um conteúdo educacional universal para ser distribuído via internet para o mundo inteiro? Educação sem fronteiras seria uma das melhores armas contra a pobreza e governos incompetentes.
Aliais, na Coréia do Sul já há algo parecido em curso - o governo distribui um tablet com o conteúdo dos cursos já embutidos e, se necessário, os alunos fazem o update ou downloads de novos conteúdos e assim praticamente elimina a logística de distribuição de livros didáticos a cada ano, sem falar do fim do desperdício dos livros que não podem ser reutilizados.
iBook 2
Ontem (19/01/2012) a Apple saiu na frente da concorrência e pode ter dado o primeiro passo para esta revolução. Baseado em pesquisas de Mercado como:
“ … Ars Technica reached out to Dr. William Rankin, the Director of Educational Innovation of Abilene Christian University who has researched the role that mobile devices can play in the classroom, and he said, "A recent study showed that 82 percent of all higher education students nationwide will come to campus with a smartphone. We need to have resources and tools ready for these mobile, connected students." (Fonte) .
O que fez a Apple? Ora, sacou que existe um enorme buraco entre o aluno e as instituições de ensino que não aproveitam esta brecha c (82%!!!! dos alunos possuem um smartphone) como meio para educar, e preparou um produto fim a fim para suprir esta demanda.
A Apple possui o hardware (tablet), uma orda de programadores/empreendedores para a sua plataforma (app para o iOS), uma tremenda experiência na distribuição de conteúdo via o iTunes e cancha para negociar com produtores de conteúdo (seja gravadoras ou editores de livros, revistas e jornais). Isso tudo aliado a uma equipe de desenvolvimento extremamente competente e perfeccionista, criaram um produto de fazer qualquer um cair para trás!
O vídeo a seguir mostra alguns recursos do novo gadget:

A demonstração em si começa pelos 1:30 min e chama a atenção para “experiência virtual” em 7:10min onde é possível dissecar uma rã sem acesso a laboratório. Quando o vídeo chegou em 8:50min, literalmente fiquei chocado, pois é uma aula sobre o sistema solar, o meu assunto favorito no “1º grau” quando eu morava bem no interior da Bahia sem recurso nenhum para conhecer mais sobre ciências - só tinha a opção de pesquisa na Barsa e na Exitus Enciclopédia. Podia ter caminhado sozinho mas precisei esperar até a USP para ter acesso a tanta coisa bacana, mas aí, além do estudo, já tinha que dividir o tempo com a cervejinha, namorada e o violão...
Voltando ao produto, ele é incrível, pois possibilita adicionar todas as suas notas, novos materiais multimídias, enfim todo o registro do seu curso universitário (ou qualquer outro).
Fascinante.
Deixo aqui alguns links sobre o assunto:
Matéria do Engadget:
E as empresas de Telecom? Quais os impactos que este tipo de produto pode trazer? Tanto em consumo de dados, quanto oportunidades de novos negócios ou produtos de valor agregado? Tema para um próximo post!

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

A Mobile Business Intelligence

Neste post gostaria de registrar não uma apresentação do evento e sim uma discussão num dos BoF* que ocorriam durante o horário do almoço e que reuniam diferentes pessoas de várias industrias para conversar sobre um determinado tema da conferência. No almoço em questão foi debatido o impacto que a função “Siri” http://youtu.be/L4D4kRbEdJw (o novo assistente de voz que a Apple introduziu no iPhone 4S) pode trazer ao mercado de buscas e influenciar diretamente como as receitas deste mercado podem migrar do Google e de operadoras diretamente para as mão da Apple. Na opinião de um PhD da IBM: “Siri vai mudar o mundo”. Será? Vamos ver então.
No final dos anos 90, negócios tradicionais começaram a migrar para a internet não só como meio de divulgação da marca, mas para realizar negócios em si. Nesta época  se estabeleceu que as pessoas poderiam ter acesso a email, assistirem vídeos, acharem amigos, ter dicas de viagem sem a necessidade de pagar. O que sustentava e sustenta estes provedores de conteúdo são as receitas de publicidade nos sites (que em 2010 aportaram U$ 26 bilhões nesta indústria). Os sites por sua vez também criaram um novo mercado de venda de informações onde eles coletam dados de uso (em geral de cookies), sintetizam, categorizam, segmentam e finalmente vendem a informação para reuso. O Google, de longe, foi a empresa mais bem sucedida neste meio, passando de um site de buscas (que até hoje é seu ganha pão) para um provedor completo de serviços via internet, coletando petabytes de informações diárias sobre perfil de consumo, gostos, hábitos/vícios na rede além de nossas relações “inter” pessoais (embora virtuais). A coisa é tão escancarada que, você pode não saber, mas parte da propaganda que você vê hoje quando acessa o gmail é baseada no conteúdo do email que você recebeu recentemente...
Bem, o que ocorre agora é que toda esta estrutura de negócio e entretenimento está migrando para o mundo móvel na medida em que a penetração de smartphones , tablets e demais devices móveis aumentam também -  o gráfico ao lado mostra o aumento da penetração destes aparelhos no mercado americano. O mundo móvel tem várias particularidades mas a principal delas está ligada justamente a localização, pois agora além de saber seu perfil de consumo é possível saber onde você esteve, está e provavelmente estará ! Para uma operadora de Telecom ainda é possível saber com quem e quanto você fala ou troca mensagens.
E a Apple com isso? Pra quem não clicou, vá até http://youtu.be/L4D4kRbEdJw  e veja novamente como é a interação entre a pessoa e seu iPhone. O que a Apple está tentando fazer é mudar a maneira com que fazemos buscas hoje –na frente de um computador ou smartphone, teclando e vendo resultados – para uma interação onde você pergunta algo por voz e recebe a sugestão de resposta por voz... Sutil, mas faz toda a diferença! Se a Siri passar a responder para o usuário onde ele encontra coisas sem a necessidade dele teclar ou ver o resultado não fará mais sentido vender banners nos sites pois as pessoas passaram a perguntar e receber sugestões por voz. Esta mudança pode fazer com que haja um leilão entre os anunciantes para que a Siri dê sugestões relacionadas a um produto (restaurante, por exemplo) aumentando os custos de propaganda das empresas e trazendo mais lucros – para a Apple no caso. Há até uma vertente que aposta que a Apple passará a oferecer serviços de reserva (em restaurantes, vôos, hotéis, etc) e cobrará do anunciante por isso. Como toda a interação do usuário com a Siri passa pelos servidores da Apple o conhecimento que eles terão do cliente será cada vez maior e personalizado possibilitando praticamente um marketing 1 para 1. A Siri poderá ser levada onde a Apple tem produtos hoje como computadores, smartphones, tablets e TV (lembra do “De volta para o futuro 2” quando o filho do Martin conversava com a TV pedindo seus canais preferidos?), e no futuro para carros postos de informações (isso mesmo!) espalhados pela cidade. A Apple é craque em gerar receitas, no próximo gráfico é possível ver que com apenas 4% do share de celulares, eles conseguem abocanhar 52%, isso mesmo 52%, da receita da indústria.
Nas palavras de um dos “gurus” do evento: “Siri irá revolucionar o mundo que conhecemos hoje, especialmente o de propaganda na internet e sua extensão nos celulares”.
E as operadoras? Como ficam? Uma alternativa é gerar novos serviços aos seus clientes, fornecendo aplicações (seja entretenimento ou comercial – aqui vale a pena conferir a iniciativa do grupo Telefonica com a plataforma BlueVia (https://bluevia.com/en/) e tentando blindar o maior valor que elas possuem: seus milhões de clientes (fixo e móvel). Neste cenário, uma estrutura de BI pode fazer toda a diferença para entender comportamentos e necessidades dos clientes na mesma proporção 1 para 1 que a Apple se propõe a fazer.

*) BoF - É a sigla para a expressão birds of feather flock together, que designa grupos de interesse ou discussão em comum. No evento era o nome utilizado para estas discussões no horário do almoço.